19/03/2009 - 11h20 Professora apanha de aluno de 13 anos dentro de sala de aula em Itaquaquecetuba (SP) JÉSSIKA TORREZAN do AgoraA professora de educação física Cláudia (nome fictício), 36 anos, foi agredida a socos, mordidas e pontapés dentro da sala de aula da escola estadual Kakunosuke Hasegawa, em Itaquaquecetuba (Grande SP). O autor das agressões é um aluno de 13 anos.
A docente conta que, na sexta-feira, a sétima série teria atividades em sala de aula. Um dos 40 alunos se destacava por causa da bagunça. Depois de chamar a atenção do adolescente várias vezes, ela pediu que ele saísse da classe. Segundo ela, foi aí que começou o pesadelo.
"Ele me xingou com palavrões. Depois eu tentei tirá-lo, foi quando começaram os chutes e as mordidas", conta.
O agressor só foi contido quando eles chegaram ao corredor. As marcas físicas da agressão desapareceram, mas as outras não vão se curar em tão pouco tempo. "Pior que a dor, só a humilhação de ter passado por isso", afirma.
Cláudia diz que, apesar do medo, tem cumprido a agenda, que inclui aulas em dois colégios da rede pública e um emprego como treinadora de futebol. Ontem, quando deu aula na sala em que havia ocorrido a agressão, o aluno estava lá.
"Disse que ele não iria participar. Ele obedeceu, mas ficou rindo de mim", conta.
A vice-diretora, Regina Célia Soares Santos, afirmou que é a primeira vez que uma agressão como essa acontece no colégio. Ela diz que o adolescente já teve problemas de comportamento e que ele tem acompanhamento de psicólogos.
"Ele sempre foi problemático. Nós já estávamos fazendo tudo o que devíamos ter feito."Depois do ocorrido, Regina conversou com o agressor, que não disse nada. Uma reunião do conselho de escola irá decidir amanhã o futuro do garoto. Até lá, ele continua assistindo às aulas.
"Ele não irá mais agredi-la", garante a vice.
Casos como esse acontecem aos montes todos anos no Brasil, mas a mídia não considera como uma matéria relevante, sendo assim banalizada como "
normal" . Sendo assim, a chamada
opinião pública não cobra das autoridades, permanecendo os profissionais da educação a mercê da violência e do descaso.
Como professor, já vivi "problemas" de relacionamento com alunos no ano retrasado na rede estadual de ensino. O que aconteceu? Fui afastado e nada foi feito, pois: "nunca tivemos problemas de violência aqui na
unidade de ensino..."
Agora trabalho em outra escola e mantenho esperança de que algumas transformações possam ocorrer em nossa sociedade e a educação possa ser levada devidamente a sério por todos.